terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Continuação....A menina do fim da rua

Correu descalça para a lareira de pedra e, pegando o atiçador, remexeu a lenha até que a brasa viva começou a crepitar e se transformou em labareda. Estendeu  as mãos para o calor do fogo que invadia a sala e a cozinha daquela casa que há cerca de cem anos, talvez menos, fora uma simples fazenda. Seu dono fizera instalar um novo aquecimento a gás junto à parede, mas a menina gostava do aconchego da lareira e do cheiro acre de fumaça que se desprendia dos incandescentes toros de madeira.
Deu mais alguns passos e, contornando a mesa baixa e a cadeira de balanço, chegou junto dos luminosos botões do estéreo. Aumentou o volume e o som, que partia dos altofalantes ocultos entre as vigas do teto, inundou o ambiente.
O Concerto nº 1 para piano de Liszt, executado por uma das grandes orquestras sinfônicas do mundo, cresceu vibrando por todo o ambiente até  transformar a pequena casa numa verdadeira orquestra.
Nenhum vizinho telefonaria ou bateria à porta para reclamar do barulho. O mais próximo morava a mais de quinhentos metros, no fim da alameda juncada de folhas mortas.
A menina ficou imóvel no meio do aposento. Esperava na penumbra, enquanto a tênue lua vermelha, palpitando no fogo, fazia novamente tremular as sombras nos cantos.
Esperou. Dentro de alguns instantes chegaria o momento que aguardava há tantos dias.... ( trecho do livro - A menina do fim da rua).

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